Bem-aventurados os Bons de Coração

Que morram então os que não sabem voar

Os que não têm o direito de perder nem de errar

No chão se encontram, no chão se perdem

No chão se despedem e vão com o vento

Asas fechadas, cada passada é um passo lento

Um passo em falso, um tropeço em si.

Que morram então os bem-aventurados

A puta, o padre e o injuriado

Que sofram e digam que não

Que percam e errem sem nenhum perdão

Felizes os que têm fome e sede de justiça

Felizes os que não perdem nenhuma isca

Que atire a primeira pedra quem nunca pecou

Que atire a segunda o primeiro que se calou

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