junho 14, 2018

Eu te amaria até o mundo pegar fogo e eu junto. Enquanto a gente dorme, eles planejam um novo golpe. E nossas cabeças não pensam em nada. Porque falar em coletivo? Porque sinto que ele sente. Eu sou ele? Ele sou eu? Ou é um eu compartilhado, sendo roubado de mim?

Me sinto escorrendo pelos bolsos e sendo derretido pra virar alguma espécie de instrumento musical. Como pode isso de ser e não ser ao mesmo tempo? Hein? Como pode?

Um joão de barro veio me visitar, mas ainda não construiu sua nova casa, nem prendeu nenhuma esposa traíra la dentro. É que nos passos que eu dou, eu piso em ovos… Mas piso massacrando-os, pra ver se nasce alguma ave daquelas cascas brancas que perfuram a sola do pé. Eu poderia andar em brasa, mas eu ando sobre as nuvens, com os pés no ar e de ponta a cabeça. Perdendo a cabeça. Sendo pouco a pouco guilhotinado, que nem terra que é arada. É que o corpo as vezes precisa ser só corpo. Com lógica de corpo, de carne osso e coração. Sem os neurônios pra atrapalhar o equilíbrio de ser. E eu aqui desejando um corpo sem órgãos. Um copo de vinagre. Pra ver se a acidez me corroí um pouco. É uma auto-tortura saudável capaz de me levar pra longe do que eu sinto.

Como pode isso, hein?Como pode isso? Esse medo da entrega e igualmente do abandono? Essa sede de ter e ao mesmo tempo ser muito pra te conhecer. /Mas calma, sem medo do que eu sou.

ME adentra a pele, me corrói os laços e diz que eu sou seu. Pode dizer. Mas eu ja adianto… As minhas respostas serão poucas. Ou não serão o bastante… O batente.

Eu me perco nessa vias respiratórias, em compartilhar minha solidão.Faz tempo que ele busca uma dispensa onde colocar tanta carga. Um quarto escuro e olhos de abismo. E o que eu faço com isso? Com o fogo que ainda queima e não me deixa descaçar? Eu não quero descanar. Eu quero mais. Eu quero mais é que você abra essa porta, chute a maçaneta e desista das cópias que você falou que faria.

O que é isso de buscar um homem?? Esse homem que eu não sou? Então é assim? Esse homem eu encontro em você e tudo fica em paz? Mas e o meu homem? Mas e eu homem? Fica ali de quatro largado no ato? E o meu pau torto? Meu falo desagradado pelos atos falhos de uma cabeça viril? Que se perde nos cabelos curtos, no próprio poço aquático.

Eu tenho medo. Ao mesmo tempo que eu quero que doa. Que doa pra me tirar do meu lugar. Acho que é isso que eu sempre busquei. E algumas sombras agonizam meus pensamentos. Por que eu não quero te perder. Mas eu também não quero ME perder. Mas eu ja perdi tanto nos lençóis que talvez, ja seja uma caminhada sem volta, e com muitas encruzilhadas pela frente. E nessa caminhada a gente deve se encontrar. Por entre os chicletes e gomas de mascar que eu te peço. Só isso… E mais um pouco de caos.

Foram duas estrelas cadentes. Até agora.

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Repartição

fevereiro 1, 2017

Fui tombado pelo patrimônio

Ainda em fase de crescimento

Com centímetros ainda presos

Polegadas de desejo

Documento assinado, números

Toda parte sabe seu lugar

Gravidade grandiosa

Um tratado de quedas no ar

Um corpo parada

 Um corpo que cai

basta um carimbo

Eu posso esperar

Próximo!

([])

outubro 11, 2016

 

O norte parou de chamar, o telefone também. as vias nasais devem estar entupidas, pois faz tempo que não reconheço a diferença entre oxigênio e gentileza. O telefone chama, as vezes, mas não se sabe se ligam ou se é só defeito de fabricação.

– (eu não quero atender)

– [você tem medo]

– (que?)

– [eu não devia ter falado isso]

O arrependimento só vem quando o presente ja passou.

– (as chamadas estão todas ocupadas)

– [os olhares também]

Ele não quis dizer isso!

 

 

 

UM COPO DE INDIVIDUALIDADE

setembro 21, 2016

(ELA abre a porta)

(SÉRGIO aparece na porta)

ELA – olha, se você quiser eu posso te responder em um tom menos agressivo. ou eu posso até falar isso que eu to falando, fazendo um carinho no seu rosto. ta! eu sei que você não gosta de toque, mas é que eu pensei que podia… sei la, ser bom que a gente se tocasse um pouco. que você sentisse a minha mão no seu rosto. ta eu sei que você acha minha mão pesada, que você me acha insensível… mas é só pra… pra você ver que a minha mão não é tão pesada assim, e que eu sei fazer um carinho… que eu sei ser leve. mas não sei, se a nossa pele se encontrasse a gente conseguia talvez ser mais amável um com o outro.

(SÉRGIO atravessa a porta e senta no sofá)

ELA – Sabe, eu te vi chegando aqui… pela janela do quarto. E eu sei que o que você ta fazendo, não é exclusivo. Eu sei que não é só comigo. Eu até preferia, que fosse só comigo, que você só ficasse puto comigo, mas eu sei que num é. eu te vi tratando mal o moço da portaria, e não adianta esconder. eu vi! eu sei que a nossa relação sem toque não é exclusividade da minha pele, da minha mão pesada. sabe as vezes eu penso em me disfarçar de… de… de… sei la de uma vendedora de cachorro quente. bem na sua esquina. juro, juro! as vezes me passa isso pela cabeça, só pra ver como você ia me tratar se você ia tocar na minha mão, sabe?

(SÉRGIO abaixa a cabeça)

ELA – eu não! eu num sei mais… eu não sei mais o que fazer com você. o que fazer comigo. o que fazer com a gente. Sei la, Sérgio. eu tenho saudade de quando você era melhor, mais permissivo, mais legal… mais feliz né!

(SÉRGIO levanta a cabeça e olha pra ELA)

ELA – olha eu to aqui, ta esperando que você deixe eu tocar na sua mão. só não se força ta… a gostar de mim. eu vou saber. Eu sempre sei! e num é porque eu sou boa nisso não, mas é por que eu te conheço.

(SÉRGIO respira)

ELA – Ah! desculpa, você não gosta que eu fale isso né?! ta bom, eu posso fingir que eu não te conheço se você quiser. oh! mas fica sabendo que isso é mentira ta. que nos dois… ambos, sabemos que eu te conheço. e que você me conhece. só que eu não sou egoísta como você, eu não sou orgulhosa pra deixar uma pessoa olhar pra mim e me ver por inteira.

(SÈRGIO solta uma risadinha)

ELA – Que foi? se acha que eu não deixo você olhar pra mim? ah, por favor Sérgio. Que ridículo! claro que eu deixo você olhar pra mim. eu deixo você até me tocar, sem pedir minha permissão. agora o que eu quero ver, é eu conseguir invadir sua quinesfera sem escutar um: “pera aí!” ou “aí não!” ah, que coisa sérgio. você num cansa de ser assim, não? fechado desse jeito.

(SÈRGIO respira)

ELA – sabe, as pessoas que você ama, elas vão embora um dia. e você vai ficar aí, ta. sozinho com seu computador de bolso, vendo netflix. espero que isso te sacie. espero que o xtube te sacie. mas é né. eu não sei se você sabe, mas sem sexo ninguém evolui viu. você devia ir ler coisas sobre a casa 8 na astrologia, pra você ver a importância do toque. a esqueci você é escorpiano né. que pena. a gente podia ser ótimos parceiros de cama. mas pega aí esse seu copo de individualidade e bebe sozinho viu. que a minha jarra eu aprendi a dividir, mesmo contra  minha vontade.

SÉRGIO – Vou pegar um copo d’água ta?

julho 28, 2013

PEDE UM PÉ DE MORTE 

Surdina

junho 2, 2013

Escuchamos la búsqueda que tardó toda la noche, la casa de los vecinos suena-va, la mía sueña-va casi durmiendo. Estábamos despiertos por la cafeína y la música que resuena-va, repetía, re partía nuestros ojos. Es lo que hay para la cena. No había silencio, tampoco voces. Cenábamos en la cocina  con el ruido del radio desprendido, con el sonido del timbre que ruia en los cuerpos, no había silencio. Cenábamos siempre a las siete, en los mismos lugares, con la misma música, Siempre el mismo silencio. Mis ojos eran los últimos que restaban, los otros ya habíamos cenado durante el año. Nadie podía ver, solo yo. A mi no me gustaba la condición de mirar, no me gustaba de la imagen de los cuerpos perdidos por la oscuridad. Yo prefería el silencio y el sonido insondable que sueña-va en la casa.

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junho 1, 2013

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A insuportabilidade zunindo nos tendões, mais uma vez tratara de ignorar. Seus sistemas haviam parado, bem menos tempo haveria de estar agora que cerrei meu corpo ao meio. Verticalmente! – Cerrei meu corpo ao meio. Pensou. E após a mente que não mais obedecia pontuou a frase. Com os dedos vagos vãos pontilhou o corpo, à presepada. Enquanto isso canta escravos de jó em ré menor, situando o serviço escravocrata no contexto. No centro das mãos o ritual, no centro da voz o limiar entre som e morte. Em ré menor, pensou. Dó, vinha de longe do barulho da janela contra vento, cata vento. E o corpo pontilhado. pontiagudo. Era consertável o concerto das formigas que cantavam com as patas do lado de fora. Do lado de dentro outro concerto entre os graves e agúdos, as linguagens binárias que criaram aquele corpo até o dado momento. Dado o momento, pensou. Pensou. E mais uma vez: Pensou: Cerrei meu corpo ao meio.

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ante / ontem

maio 27, 2013

No que importe, pero ayer había que ser yo, no hoy, hoy no. Hoy no tengo que ser, no tengo que estar, tampoco haber. No hoy, hoy no. Hoy se fue de vuelo. Hoy no. Hoy no hay mas tiempo. Hoy no. Hoy perdí la pierna. Hoy no. Hoy se juega limpio. No hoy, hoy no.

Des Vi ô

maio 27, 2013

Se fizeres de mim o que olham seus olhos mirantes

Há de ser miragem

Hei de ser mentira

Cáspios

outubro 18, 2012

O palpitar da pálpebra direita, a esquerda que ignora. Enquanto isso em seus olhos vestimentas nus e roupas de baixo. Pulsões que tardaram chegar, pela falta de cafeína, pela displicência do olhar. Durante olhares duravam instantes, duravam perdas. Durava seu olhar duro, quase nunca não dizendo. Não dizia, nem deixava. Nem abria. Fechava. Olhando distante e quase sempre não estando. Longas, contínuas piscadas repetitivas. Repetindo em milésimos e centímetros. Milímetros. Enquanto isso seus olhos dormem, choram e veem. Desacordados em súbitos segredos. Inóspitos, cáspios picavam dormentes. Em meio às escutas, curtas, bambeavam. Balançando, quase sempre não estando. Escutando estava.