UM COPO DE INDIVIDUALIDADE

(ELA abre a porta)

(SÉRGIO aparece na porta)

ELA – olha, se você quiser eu posso te responder em um tom menos agressivo. ou eu posso até falar isso que eu to falando, fazendo um carinho no seu rosto. ta! eu sei que você não gosta de toque, mas é que eu pensei que podia… sei la, ser bom que a gente se tocasse um pouco. que você sentisse a minha mão no seu rosto. ta eu sei que você acha minha mão pesada, que você me acha insensível… mas é só pra… pra você ver que a minha mão não é tão pesada assim, e que eu sei fazer um carinho… que eu sei ser leve. mas não sei, se a nossa pele se encontrasse a gente conseguia talvez ser mais amável um com o outro.

(SÉRGIO atravessa a porta e senta no sofá)

ELA – Sabe, eu te vi chegando aqui… pela janela do quarto. E eu sei que o que você ta fazendo, não é exclusivo. Eu sei que não é só comigo. Eu até preferia, que fosse só comigo, que você só ficasse puto comigo, mas eu sei que num é. eu te vi tratando mal o moço da portaria, e não adianta esconder. eu vi! eu sei que a nossa relação sem toque não é exclusividade da minha pele, da minha mão pesada. sabe as vezes eu penso em me disfarçar de… de… de… sei la de uma vendedora de cachorro quente. bem na sua esquina. juro, juro! as vezes me passa isso pela cabeça, só pra ver como você ia me tratar se você ia tocar na minha mão, sabe?

(SÉRGIO abaixa a cabeça)

ELA – eu não! eu num sei mais… eu não sei mais o que fazer com você. o que fazer comigo. o que fazer com a gente. Sei la, Sérgio. eu tenho saudade de quando você era melhor, mais permissivo, mais legal… mais feliz né!

(SÉRGIO levanta a cabeça e olha pra ELA)

ELA – olha eu to aqui, ta esperando que você deixe eu tocar na sua mão. só não se força ta… a gostar de mim. eu vou saber. Eu sempre sei! e num é porque eu sou boa nisso não, mas é por que eu te conheço.

(SÉRGIO respira)

ELA – Ah! desculpa, você não gosta que eu fale isso né?! ta bom, eu posso fingir que eu não te conheço se você quiser. oh! mas fica sabendo que isso é mentira ta. que nos dois… ambos, sabemos que eu te conheço. e que você me conhece. só que eu não sou egoísta como você, eu não sou orgulhosa pra deixar uma pessoa olhar pra mim e me ver por inteira.

(SÈRGIO solta uma risadinha)

ELA – Que foi? se acha que eu não deixo você olhar pra mim? ah, por favor Sérgio. Que ridículo! claro que eu deixo você olhar pra mim. eu deixo você até me tocar, sem pedir minha permissão. agora o que eu quero ver, é eu conseguir invadir sua quinesfera sem escutar um: “pera aí!” ou “aí não!” ah, que coisa sérgio. você num cansa de ser assim, não? fechado desse jeito.

(SÈRGIO respira)

ELA – sabe, as pessoas que você ama, elas vão embora um dia. e você vai ficar aí, ta. sozinho com seu computador de bolso, vendo netflix. espero que isso te sacie. espero que o xtube te sacie. mas é né. eu não sei se você sabe, mas sem sexo ninguém evolui viu. você devia ir ler coisas sobre a casa 8 na astrologia, pra você ver a importância do toque. a esqueci você é escorpiano né. que pena. a gente podia ser ótimos parceiros de cama. mas pega aí esse seu copo de individualidade e bebe sozinho viu. que a minha jarra eu aprendi a dividir, mesmo contra  minha vontade.

SÉRGIO – Vou pegar um copo d’água ta?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: